Se tem um carro com mais de dez anos, há uma probabilidade grande de já ter reparado nisto, ou de vir a reparar em breve. O tecido do tejadilho começa a formar uma bolsa, normalmente por cima dos bancos de trás ou junto ao vidro traseiro. Depois a bolsa cresce. E a certa altura o tecido está a tocar na cabeça dos passageiros.
O que se passa lá em cima
O forro do teto não é só tecido. São três coisas coladas umas às outras: uma placa rígida de suporte, uma camada fina de espuma, e o tecido que se vê.
Essa espuma é o problema. Com anos de calor acumulado, e num carro estacionado ao sol o tejadilho é a zona mais quente de todas, a espuma degrada-se quimicamente e desfaz-se. Deixa de ser espuma e passa a ser pó.
Quando isso acontece, o tecido perde aquilo a que estava colado. Não descolou da placa, descolou de uma camada que já não existe.
Por isso é que colar não resolve
É a primeira coisa que toda a gente tenta, e percebe-se porquê. Compra-se uma cola em spray, levanta-se o tecido, aplica-se e pressiona-se.
Aguenta umas semanas, às vezes uns meses. Depois volta, e muitas vezes pior, porque a cola agarrou ao pó da espuma e não à placa. Está a colar tecido a pó.
Há ainda um efeito colateral: a cola atravessa o tecido e deixa manchas rígidas que ficam à vista quando o trabalho for finalmente feito como deve ser. Quem tentou colar antes costuma acabar a pagar um bocadinho mais.
Os percevejos e os alfinetes
A segunda tentativa mais comum. Funciona no sentido em que o tecido deixa de cair, e é aceitável como solução de emergência para umas semanas.
O que não é, é solução. Fura o tecido, o que limita reparações futuras. E dá ao interior um ar de abandono que, num carro que se vá vender, custa dinheiro real na negociação.
O que se faz a sério
Retira-se a placa do carro. Remove-se o tecido velho e raspa-se toda a espuma degradada até a placa ficar limpa. Aplica-se material novo, com a espuma nova incluída, e volta-se a montar.
Feito assim, fica como saiu de fábrica e o assunto acabou. Não é um remendo com prazo de validade, é substituição do que apodreceu.
Quanto mais cedo, melhor
Enquanto o tecido está apenas a formar bolsas, a placa por baixo costuma estar intacta e é só o forro que se troca. Quando o tecido anda meses a roçar, a esfregar contra as luzes de teto e a ser puxado, a placa acaba por sofrer, e aí o trabalho é maior.
Há também um pormenor prático: um forro pendurado tapa o retrovisor interior e tira visibilidade traseira. É chato mais do que perigoso, mas é chato todos os dias.
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