Uma mota lava-se em vinte minutos e um carro leva duas horas, por isso é natural pensar que é mais fácil. É o contrário. Num carro, aquilo que está exposto é chapa pintada e vidro. Numa mota, está tudo à vista: rolamentos, corrente, ligações elétricas, radiador, travões. Não há chapa nenhuma a proteger o que interessa.
Onde a água à pressão nunca deve ir
A regra que resume tudo: um jato forte empurra água para dentro de sítios onde ela devia nunca entrar, e empurra para fora a massa lubrificante que lá estava. A água fica, a massa não volta.
Os pontos a evitar são sempre os mesmos:
- Rolamentos de direção, na zona da coluna. É o estrago mais caro e o mais silencioso, porque só dá sinal quando a direção começa a ter pontos duros
- Rolamentos das rodas, sobretudo apontando de lado aos vedantes
- Corrente e coroa, que perdem lubrificação em segundos
- Fichas elétricas, painel e chave de ignição
- Silenciador e filtro de ar, pela razão óbvia
Se tem de usar máquina de pressão, use-a à distância e nunca perpendicular a uma junta ou a um vedante. O ângulo importa mais do que a pressão.
A alternativa demora mais e estraga menos
Pouca água, muito produto e tempo para ele atuar. Um champô específico para motas, aplicado com um pulverizador, deixado a trabalhar dois ou três minutos, e depois retirado com pano de microfibra ou uma passagem de água a baixa pressão. É mais devagar, mas não empurra nada para lado nenhum.
Em motas com muita eletrónica exposta chegamos a fazer sem água corrente nenhuma, só com produto e panos. O resultado é o mesmo e o risco desaparece.
A corrente merece um parágrafo só para ela
Lubrificante velho misturado com pó da estrada forma uma pasta escura que se agarra à corrente, à coroa e ao braço oscilante. Sai com desengordurante próprio e escova de cerdas, com paciência.
Dois cuidados. Primeiro, o produto tem de ser adequado a correntes com vedantes de borracha, que são praticamente todas as modernas. Desengordurantes agressivos atacam esses vedantes e quando isso acontece a corrente está condenada, mesmo parecendo bem.
Segundo, e é o que mais gente esquece: uma corrente limpa e seca dura menos do que uma corrente suja. Depois de lavar tem de se lubrificar outra vez, com a corrente ainda morna se possível, para o lubrificante penetrar.
Cromados, alumínio e carenagens
Cada um pede coisa diferente e é por isso que uma mota dá tanto trabalho. O alumínio polido ou escovado leva produto próprio e depois selante, senão pica e ganha aquelas manchas brancas que já não saem. Os cromados levam polimento específico e é aí que a mota ganha aspeto de nova. As carenagens tratam-se como pintura de carro, com lavagem sem contacto abrasivo e correção de riscos finos quando fazem falta.
O assento é o que mais se esquece. É pele sintética, apanha sol todos os dias, e sem hidratação racha nas costuras ao fim de uns verões.
Insetos: retirar, nunca esfregar
Os restos de insetos na frente e no vidro são ácidos e gravam a superfície se ficarem lá dias. Amolecem-se com pano molhado morno pousado por cima durante uns minutos e depois saem sozinhos. Esfregar a seco é a forma mais rápida de trocar uma mancha por um risco.
Antes de arrumar para o inverno
Se guarda a mota de novembro a março, o pior que pode fazer é arrumá-la suja. Sal da estrada e humidade ficam meses a trabalhar contra o metal dentro da garagem, e em março a mota sai pior do que entrou. Uma limpeza a fundo com proteção aplicada antes de arrumar é dos gastos que mais rende num veículo destes.
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